Momento exige medidas efetivas, sem sacrificar quem já está no front

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Carlos Estrela*

As propostas tresloucadas e demagógicas que surgem a partir de alguns parlamentares da Câmara Federal, relativamente à "cota de sacrifício" dos servidores federais de todos os Poderes como forma de contribuir no esforço de somar recursos para prevenir, tratar e /ou mitigar os efeitos da Covid-19, doença provocada pelo coronavírus, parecem algo de boa-fé e justas.

No entanto, ocorre que, antes de qualquer decisão sobre descontar salário de qualquer faixa de servidor público, queremos propor a discussão de algo mais efetivo e sempre "esquecido" pela elite brasileira: a destinação da imensa riqueza amealhada praticamente por menos de 1% de sua população. Assim sendo, propomos que algum parlamentar elabore um projeto de lei para:

a. Taxar em 25% as grandes fortunas dos bilionários do país;
b. Taxar lucros e dividendos das empresas (dinheiro que não é declarado à Receita Federal, por ser isento de imposto desde 1995);
c. Sustar o pagamento dos juros da dívida pública por seis meses, carreando todos os recursos para os governos estaduais combaterem a pandemia no país;
d. Criar um imposto emergencial sobre movimentação financeira de 0,5% por um período, nos próximos três meses (abril, maio e junho), carreando todos os recursos para o SUS.

Aprovadas preliminarmente essas medidas, acredito que os servidores federais, grande parte deles direta e indiretamente nas linhas de frente de combate ao vírus, não vão recusar dar sua parcela de contribuição, dado que seria mais uma ajuda para o sistema público de saúde nesta hora sombria.

(*) presidente da Associação dos Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (ASBIN).