Servidores reclamam de ministro

Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

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A proposta de ficarem sem reajuste por 18 meses, como defendeu o ministro Paulo Guedes a título de cota de sacrifício, no período de pandemia, deixou as entidades representativas do serviço público em pé de guerra. Segundo Sérgio Ronaldo da Silva, secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), é uma violência contra o funcionalismo.

"É um disparate o ministro sugerir congelamento de salários que já estão congelados há anos! E ele ainda tem a coragem de falar que não haverá perda de direitos. É uma pessoa que não entende nada de administração pública e quer gerir o Brasil como se fosse um banco privado", criticou, deixando claro que haverá reação.

O Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate, que reúne algumas das categorias mais bem remuneradas do serviço público) garantiu que os servidores estão contribuindo com a crise do coronavírus, diferentemente do que sugere Guedes.

"É uma mais declaração infeliz do ministro, que mostra uma desconexão com a realidade, porque os servidores públicos estão na linha de frente do combate ao coronavírus. Tanto os que estão diretamente envolvidos nesta questão, como os servidores de saúde, pesquisa, assistência social e segurança pública", afirmou o presidente do Fonacate, Rudinei Marques.

Empenho

Segundo ele, até os servidores que estão de home office estão trabalhando mais que o normal neste período. "Os servidores têm dado a sua contribuição, ao contrário do ministro. Está na hora de ele parar com falácias e mostrar a que veio, resolver essa situação caótica e buscar o diálogo, em vez de criar brigas", criticou Marques.

A Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco, que congrega os funcionários das receitas estaduais e do DF), criticou Guedes salientando que "mais uma vez se vale de seu cargo para, de maneira insidiosa, tentar colocar os cidadãos brasileiros contra o serviço público, e tratar os servidores como empecilho para a recuperação econômica do Brasil". Para a entidade, ao afirmar que o funcionalismo deve mostrar disposição em fazer algo pelo país, propondo o congelamento dos salários, o ministro ignora o sacrifício diário daqueles que estão trabalhando no combate à pandemia.

"Pessoas que, por muitas vezes, optaram por se afastar das famílias, colocando em risco sua segurança para ajudar o próximo, ou até mesmo dividindo seus ganhos para ajudar aqueles que perderam empregos ou estão impossibilitados de exercerem suas funções", aponta a nota da Fenafisco.

Não foi a primeira vez que Guedes entrou em conflito com os funcionários públicos. Em 7 de fevereiro passado, criticou-os em uma palestra na Fundação Getúlio Vargas, no Rio, enquanto defendia a necessidade de uma reforma administrativa. Aproveitou para atacar os reajustes automáticos de salários dos servidores, comparando com uma relação entre hospedeiro e parasitas. (MB e VB)

Fonte: Correio Braziliense